Arqueólogos encontram ruínas do palácio de Senaqueribe

Local onde ficava túmulo do profeta Jonas foi explodido pelo Estado Islâmico e acabou revelando o palácio do rei assírio Senaqueribe.

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Arqueólogos descobriram debaixo do tradicional túmulo do profeta Jonas, em Nínive, um palácio construído no século 7 a.C. que pertenceu ao rei assírio Senaqueribe.

A descoberta foi feita após o espaço ter sido atacado por radicais do Estado Islâmico em 2014, quando foi explodido. Há via no local chamado de Nebi Yunus, no alto de um monte em Mossul, um pequeno templo em homenagem ao profeta.

Após a destruição do local e posteriormente a retomada do controle, pesquisadores ingleses voltaram a investigar as ruínas e encontraram evidências arqueológicas sobre Senaqueribe, rei assírio mencionado na Bíblia.

Nos relatos bíblicos ele tentou conquistar a cidade de Jerusalém nos dias do rei Ezequias. O relato de 2 Reis 18 e 19 mostra que Senaqueribe foi impedido de conquistar Jerusalém pelo próprio Deus.

A Bíblia também narra que após ter voltado ao seu palácio o rei assírio acabou assassinado por dois dos seus filhos e substituído por Esar Hadom (2 Reis 19.36-37).

O palácio encontrado pelos arqueólogos foi construído por Senaqueribe, reformado posteriormente por Esar-haddon (681-669 a.C), e novamente reformado por Assurbanipal (669-627 a. C.). O rei Assurbanipal é mencionado brevemente no livro de Esdras (4:10).

O local onde o palácio se encontra foi retomado pelas tropas iraquianas há dois meses, após intensa ofensiva contra o Estado Islâmico que havia tomado o controle de Mossul e da antiga cidade de Nínive, que é mencionada na Bíblia.

A pesquisa no local foi autorizada pelo Ministro da Cultura do Iraque, pois o local estava muito danificado após ter sido escavado pelos radicais em busca de artefatos que poderiam ser vendidos no mercado negro.

A descoberta foi revelada pela arqueóloga iraquiana Layla Salih após explorar um dos túneis escavados pelo grupo radical e encontrar uma inscrição em peça de mármore falando sobre o rei Esar-Hadom.

A citação em escrita cuneiforme foi datada de 672 a.C. e faz um comentário sobre a reconstrução da Babilônia após a morte do pai de Esar-Hadom.

Palácio de Senaqueribe

Para a pesquisadora Eleanor Robson, do Instituto Britânico para o Estudo do Iraque, a destruição causada pelos radicais islâmicos acabou revelando “um achado fantástico”.

“Os objetos não correspondem às descrições do que esperávamos ver lá embaixo”, disse ela ao jornal Telegraph.

“[Nessas ruínas] há uma enorme quantidade de História, não apenas pedras ornamentais. É uma oportunidade para finalmente podermos explorar a casa do tesouro do primeiro grande império mundial, no período do seu maior sucesso.”

A pesquisadora também lamentou o fato de o grupo radical Estado Islâmico tenha saqueado centenas de objetos do palácio para vender no mercado negro e, com o lucro, financiar sua guerra.

“Acreditamos que eles venderam muitos dos artefatos, como cerâmicas e pequenas peças. Mas aquilo que deixaram irá ser estudado e acrescentará muito ao nosso conhecimento daquele período”, afirmou Robson.

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